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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Before we all burn

Antes que tudo e todos se queimassem, antes que o fogo levasse todas as lembranças embora, eu guardei um retrato e um caderno junto ao peito, sorri e vivi eterna.
Antes que o fogo levasse tudo embora.
Before we all burn.


quinta-feira, 10 de maio de 2012

O velho, o menino e a ponte

Sempre tinha o velho e o menino e a ponte, no mesmo lugar, à mesma luz.
O quadro com a moldura envelhecida, pendente em um dos lados. Parecia que ninguém se importava de arrumá-lo. Eu virava a cabeça um pouquinho e conversava com o velho. O menino parecia sempre distante.
Mas eu não entendia a ponte. O velho me parecia feliz e suas conversas sobre a chuva e sobre o tempo nunca me fizeram duvidar de sua sanidade ou de seu bem-estar emocional, mas o menino descalço  parecia muito distante. Dava a impressão de ter sido colocado ali depois; bem próximo à beirada da ponte, quase se precipitando dela. Garoto infame, parecia gargalhar e morrer de dor ao mesmo tempo. Zombava do quê?
Da vida? Do velho? Da ponte?
Por que ele estava ali?
Ele me olhou uma última vez, nem como uma despedida. Foi mais como um convite para que eu ficasse eternamente na dúvida, para que eu me corroesse tentando achar as respostas. Ele zombava de mim. Era isso.
O menino e o velho e a ponte...o menino distante e zombador.
Quando se virou com seu convite à minha perturbação, acenei com a cabeça e ele pulou.
Zombando de mim e da morte.
Sempre tinha o velho e a ponte, no mesmo lugar, à mesma luz.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O cuidador

E ele cuida. Olha. Sente.
E sorri quando ela pisca um dos olhos para ele.
Sente a temperatura febril da moléstia dela.
Está sempre por perto, só para saber se está tudo bem.
Às vezes nem sabe sobre o que falar. Então fica em silêncio.
Mas a olha. Ele a olha com os olhos mais ternos.
Quando ela se quebra, ele morre.

Damien Rice me insirou. :D

domingo, 1 de abril de 2012

Gás

Eu não sei
Se é o buraco
Se é o céu...
Mas é algo sufocante.
Tristeza demais, felicidade demais...
E eu não consigo respirar.

O monstro em mim

O monstro em mim que sente fome.
Não de comida.
Fome de palavras, de gestos, de sons, de expressões.
Um monstro, um verme, parasita que não se contenta em apenas estar ali e habitar meu corpo...
Ele quer o mundo, ele quer sugar tudo.
Ele nunca está satisfeito, sempre quer mais.
E ele come outras pessoas, come sons, come imagens, come coisas.
E ainda quer. Agora o monstro em mim quer você.
Quer sugar tudo de você e ele vai matar você.
E depois que o monstro em mim comer você, você será dele.
E será meu.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Em desconstrução

Desmanchando em cada fio de vida.
Amando o caos e a desconstrução. 
Deve ser por isso que
o meu cabelo está sempre bagunçado.
E eu tô flutuando dentro duma bolha
como se não estivesse no mundo
como se apenas o observasse de longe
E não fizesse interferência
Não fizesse diferença...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Diário


Eu deveria matá-lo. Enterrá-lo bem fundo.
Porque no fim os segredos meus, não serão meus.
Qualquer um que abrir saberá e eu argumentarei o quê, se já morri?
Quiçá, o que tem lá já foi lido há muito tempo. Nem são mais os segredos meus.

domingo, 23 de outubro de 2011

Domingo de sem ninguém, só.

Ela olhou na direção do ralo do box esperando, concentrada, com toda atenção, que de lá surgisse uma barata. E esperou por 2 horas, que foi o tempo suficiente para perceber que não estava sozinha em seu apartamento. Bendisse o dia, não tomaria o café da manhã, sozinha, afinal. Nem interessava quem era, faria café para dois. Arrumou a cafeteira, ligou e esperou.
Ele/ela (intruso/intrusa), quem quer que fosse, esperou também. A cafeteira fez um sinal sonoro. Ela se levantou, ainda com seu roupão acinzentado, meio morto, arrastando os pés e apanhou duas xícaras. Xícaras de porcelana. Ah brindemos com café. Hoje é um grande dia!
Ela estava realmente feliz que fosse domingo. Estava feliz que isso fosse num domingo. Pena que não se preparara “adequadamente” para essa hora.
Serviu as duas xícaras sem ao menos olhar. Logo, derramou café quente sobre a mesa, sobre a toalha puída da mesa, aquela com desenhos de melancias, melancias fechadas, tiras de melancias. Mas ele nem nunca gostou daquela toalha mesmo. Foi um presente de quem não se sabe mais, para ninguém. Poderia dizer, sem prejuízo, que fora qualquer uma das inúmeras coisas achadas no lixo. Ninguém quer, então...
Nada para comer.
Depois de 2 minutos - a espera parecia infinita -  o café já se esfriara o suficiente para se tornar repulsivo. Amargo e repulsivo, como a ânsia da ressaca. Ela estava de ressaca da vida.
-Pode vir! Você quem quer que seja! Seja minha companhia esta manhã... – o silêncio fora finalmente rompido, mas a voz dela “manquejou” no fim da sentença, como a voz dos embriagados.
Um vulto percorreu o canto do seu olho direito e se pôs ao lado dela. Era a beleza na forma humana. Podia ler tudo nos olhos dela, ver tudo. O filme. O tão falado filme da sua vida antes da sua morte.
A beleza, a incógnita, a Morte, sentou-se ao lado dela e tomaram café juntas.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Cor

...E eu odiei com toda a força do meu amor, a falta de paz

a ausência de luz

e a dor.

E sem pudor,

desejei a morte,

puni-me, chorei.

Mas odiei a dor 

Ergui-me

Sorri à luz,

e sem pudor, entreguei-me à cor.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Livro queimado

Você tinha todas as súplicas do dia cansado.
Quando li as letras que sobraram da pugna de fogo que encontrastes, chorei.
Ouvi a música do sabor que as letras tinham.
O que, você, amassado livro verde, guardava pra me influenciar tanto?
No dia da chuva de pedras olhei para você, em cima da escrivaninha, as negras letras grandes me disseram que eu estava salva, que eu estava em paz.
No dia em que choveu fogo, não suportei olhar pra você.
Hoje chove de novo. Fogo.
Devolvo você ao seu lugar. Refugo.
Queime-se, vá para a chuva de fogo.
Eu ficarei aqui me lembrando do gosto defumado de palavras amargas ainda não-ditas.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Arma carregada

Viver sob a mira de uma arma carregada...direto na sua cabeça!
Como seria isso?

Emoções:
Medo x Adrenalina x Ânsia de viver x Dor x Redenção x Arrependimento

Sons:
Rock, Tambores, Inspiração, Expiração, Gemido

Cheiros:
Suor, Sal, Ferro, Sangue

Sensações:
Frio, Calor, Tremor, Paz, Perturbação

Gostos:
Acridoce, Saliva, Suor, lágrima, comida favorita

Visões:
Embaçamento, Chão, Dia feliz, Dia triste, todos os dias, mãos fechadas em punhos, alguém chorando

Vida:
Intensa, Curta, Insegura, no Limite.
Remorso, Dor, Angústia.
Diante da Morte é quando você mais se sente VIVO.
Ouve todos os sons, sente todos os gostos.
Vê alguém chorando. Enfim, alguém se importa.
Vive tudo. Vive de verdade à mira de uma arma carregada.



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Pensei sobre, ouvindo pela terceira ou quarta vez The Catalyst, Linkin Park.
http://letras.terra.com.br/linkin-park/1710832/

domingo, 22 de agosto de 2010

Absolem

Eu acho que seriam azuis as suas asas
Eu quis acreditar nisso
Como o céu pelo qual ela nunca voou
Como a flor silvestre que nunca beijou

Eu nunca a vi voar.
Mas fico feliz por ela ter visto o sol.
Será que suas asas seriam azuis?

quinta-feira, 20 de maio de 2010

THE GAME BEGINS...

Eu sei quem VOCÊ É. E sei o que VOCÊ FEZ.
O jogo começa e EU dou as cartas.
Meu DEUS é maior que o seu.
O JOGO COMEÇA!

TRUCO. PERDEU PLAYBOY.