domingo, 25 de dezembro de 2016

A vida é um círculo bem grande onde você dá muitas voltas. Às vezes seu círculo se intersecciona com outros, mas você continua nas suas voltas. Até a bateria acabar...

sábado, 24 de dezembro de 2016

O jogo

É um jogo bem complicado.
Mais que xadrez ou qualquer outro de estratégias que você tenha jogado.
Não tem nada a ver com o oculto, mas esconde algo.
O que se revela apenas no game over, porque você sempre perde.
Espere para ver ou abaixe o seu rei em rendição.
Melhor desistir. Não. Melhor tentar.
É um jogo bem complicado.
Mas não mais que o das minhas regras.
Melhor tentar. Não. Melhor desistir (?).

domingo, 27 de novembro de 2016

Saudades de Saudécia

Eu tive que admitir que tenho saudades de Saudécia.
Já não tenho mais noção de tempo e espaço. Não sei quanto tempo estou aqui confinada com esses extraterrestres bizarros, encapuzados.
Às vezes parecem dinossauros, outras parecem humanoides, mutantes, outras vezes são apenas plantas. Eles se movem diante de mim e me fazem lembrar o quanto sinto falta de Saudécia.
Eu governaria tudo aquilo. Saudécia... Meu pequeno pedaço de terra a ser explorado, ressequido, escravizado.
Por que eles não me mataram? Isso não me sai da cabeça.
Teria sido melhor...
Estão mexendo com minha cabeça aqui, minha mente não é mais minha. Eles sabem do que eu sei?
Tenho que tentar resistir. As forças estão escassas e as dores de cabeça aumentam.
Sinto uma pressão nascer no meio dos meus olhos. Como uma agulha fina penetrando meu crânio. Lá dentro ela se abre como um guarda-chuva e pá! Eu sinto bolhas e espumas. Minha cabeça está sob um peso de cinquenta quilos.
Todos os gritos são abafados por esse tipo de prisão hermética em que me encontro.
Me pergunto se os sanatórios seriam assim...
Flashes. Escuridão, luzes, luzes, luzes. Elas são muito claras!
Agora são os verdes começando a colorir a tela. Surge Saudécia bem na frente dos meus olhos.
Uma camponesa sentada sobre um tufo de feno. Ela é muito jovem mas está com um bebê nos braços. Parece cansada, mas feliz. Ela acena com a cabeça para outra que passa por ela, por um caminho na terra batida. Um cavalo relincha. Vejo a feira dos mercadores. Vejo carroças.
Pisco várias vezes, aquilo não era real. Vejo agora os arranha-céus. Minha casa, minha mansão cercada de pinheiros, cercas-vivas, e o mais moderno sistema de segurança. Eu estava protegida. E eu tinha luxo ali. Muito. Isso sim era Saudécia. Era ter tudo que me apraz. Eu era a dona. E em breve eu seria a governadora de tudo.
Isso também não era real.
O que estão fazendo comigo aqui? Preciso retornar à Saudécia! Eu não sou uma tirana. Eu preciso governá-los para o bem deles.
"Heeeeeeey! Suas bestas mutantes, seus lagartos nojentos! Me tirem daqui! Eu ordeno que me tirem daqui!" - grito em vão.
Saudécia é real, sei que é.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

De onde era aquela paz?
Era do riacho onde eu molhava apenas as pontas dos pés
Daquela árvore grande com formato de chapéu
Era das folhas secas e do farfalhar.

E dos insetos zumbindo
Do ouvir um pássaro ao longe
E um grilo mais perto
Era imaginar o caminho, indo.

De onde era aquela paz?
Era de consertar seus medos com histórias antes de dormir
Do trilho do trem abandonado, onde eu podia ler
Era da brisa que vinha do seu lar.

E de chegar em casa cantando
Deixar as sandálias na porta, ligar o rádio
A música favorita, que podia ser qualquer uma
Era imaginar o caminho, voltando.

De onde era aquela paz?
Era meu sorriso encontrando Deus.

sábado, 19 de novembro de 2016

Ratos

- Você tem que se mudar!
- Mas é a minha casa... - resmunguei, quase num choramingar.
- Era sua casa! - ela foi enfática.
- Para onde eu vou? Para a casa dos meus pais?
- Vá para qualquer lugar, more debaixo de uma ponte, mas saia daqui.
Ela tinha razão. A casa não era mais minha. Era dos ratos. Percebeu que eu finalmente compreendia.
- Eu sei que você tentou se livrar deles. Mas seu coração não permitiu que você matasse sequer um deles. Mas agora, olhe ao seu redor... Eles estão em toda a parte, comem sua comida, bebem sua bebida, deitam em sua cama. Eles te dominaram e você deixou. Não por ser fraco. Mas porque você era muito bom. Não quis matá-los. Agora eles estão matando você, roendo pedaço por pedaço seu. Abusaram de você, te escravizaram. Eu sei que você não vai atear fogo nesta casa. Sei que não vai pedir educadamente que se retirem. Você já está morto, se continuar aqui por mais um dia. Mesmo que não consiga se livrar dos ratos, pelo amor de Deus, pegue uma muda de roupa, vamos embora. Você tem que se mudar!
Nesse momento, olhei ao redor e não tinha mais nada pelo que lutar ou insistir. Os ratos já tinham tudo pra eles. Era tudo deles. Exceto eu. Eu precisava ir e não precisava levar nada.

domingo, 6 de novembro de 2016

Carpe diem

Não dá para ser linear.
Nem simples.
Nem fácil.
É para ser difícil, tortuoso, íngreme.
Complicado.
No final tudo valerá a pena. (?)
Será que é tudo pelo final?
E o caminho será o de dor para a chegada ser de glória?
Como se isso fizesse algum sentido.
Carpe diem.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Saudécia I

Não consigo enxergar nada. A última pesada porta de metal resistente foi fechada. Aguardo agora o retorno daquela bomba de energia, que me destruirá e todos os meus planos de governar Saudécia. Todos os meus súditos serão escravizados ou mortos. Não haverá mais menção de meu nome.
Está muito escuro aqui. Posso gritar. Ninguém ouve. Estou numa cápsula? Onde estou? Não posso acreditar que este será meu fim.
Sei que existe uma bomba preparada para mim, vi a ocupação total das planícies de Saudécia, por aqueles mascarados gigantes. Não houve resistência. Não faz sentido. Saudécia seria melhor que mundos em galáxias distantes. E nunca falei em genocídio.
Agora nesses segundos no escuro, gritar é em vão. Assim como pensar no sentido de tudo.
-Quem são vocês? - ouso questionar.
Eu era tão forte, e agora estou prestes a ser decomposta em milhões de pedaços.
Chega o momento, o chão se abre praquilo que chamarei de buraco negro. Um zumbido incrivelmente alto estoura meus tímpanos. Vejo uma luz e meu corpo se transforma em energia.

Acordo assustada. Estou de cabeça pra baixo. Saudécia em alvoroço. Dia de coroação.
Tudo ao contrário. Ninguém percebe. O direito, esquerdo. O esquerdo, direito. Estou andando para trás.
-Onde estou?

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Universo paralelo

Quando em  universo paralelo os sonhos começassem a observar a realidade e quisessem usurpá-la.
Quando eles decidissem saltar de dentro dos subconscientes e se materializar para uma realidade nova, uma utopia deles.
Eu nunca mais dormiria para não libertar meus pesadelos.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Eu vejo beleza naquilo que floresce e murcha tão rapidamente, como se aquele infinito de contemplação me abduzisse e eu, lentamente, morresse em um universo meu, sem gravidade, sem chão.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Eu poderia tentar mais uma vez.
E mais uma.
E outra.
Continuar tentando.
Mesmo cansada.
Tentar só mais uma vez.
Morrer, depois.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Cadê o final feliz?
O eterno e o para sempre, para onde foram?
Um. Ou outro.
Eterna busca de sentido. Eterna frustração, momentos raros de felicidade. Paz. O um.
Ou um finito êxtase. Um dia feliz, o extremo, o ápice, o último. O final feliz. O final. O fim. O outro.
Um. Ou outro.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

- E o que você quer fazer com essa realidade?
- Eu ainda não sei.
- Então, deixa tudo como está.
- Não posso. Já é real... Já está aqui.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Fogos e estrelas

Todos estavam tão impressionados com aqueles fogos, efêmeros, mas tão lindos!
Era apenas o dia mais perfeito de todos. Eu, meus amigos. E um mundo gigante verde, azul, amarelo, laranja...
Pesca no lago, tirolesa com os amigos. A caminhada pela manhã fria, o calor do meio do dia, a fogueira de noite, o marshmallow, o céu. Os fogos!
Ninguém tirou fotos, ninguém postou nada no Facebook. Era como ter vivido.
As estrelas eram ofuscadas por aquele brilho artificial por alguns segundos e depois voltavam soberanas. Os fogos de artifício! Da arte, do ofício. Artificiais.
Era tudo tão bom, eterno e ao mesmo tempo cercado pela nostalgia de que amanhã tudo voltaria ao normal. Já estava tão cheia de saudades daquilo... Os fogos artificiais!
E as estrelas continuariam lá, os morros, os lagos... mas eu apenas brilharia como aqueles fogos de artifício no dia mais perfeito de todos.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

À distância de um tiro de pedra, estava a criancinha chorando, perdida da mãe.
Claro que eu me desviei dela e nem perguntei nada. Passei à uma distância segura para que ela nem tentasse agarrar a barra da minha saia.
Sei que muitos me julgariam (me julgaram, me julgarão) mal, então deixo esse ônus para eles. Que ajudassem a criança em vez de me criticar...
E eu continuo andando em círculos, em paz. Sem incomodar ninguém.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Nebuloso

O dia começara assim, com muitas nuvens. Não se conseguiria ver o céu nem se cavássemos por três dias (isso se pudéssemos ficar de cabeça para baixo, voando e tivéssemos uma pá antigravitacional).
Eu jurei que hoje seria diferente, que eu falaria mais, que eu sorriria mais e que eu veria os animais brincarem no campo, no fim da tarde.
Abri a porta da varanda e vi aquele mundo de nuvens e comecei a retroceder. A lareira ainda fumegava restos mortais do fogo que me aquecera na noite anterior. Seria bom ficar juntinho dela, aninhado no seu calor, enrolado como um caracol.
Eu leria Moby Dick, tomaria chá, adormeceria e logo seria amanhã, ou o fim do mundo.
Resolvi, avançar mais dois passos em direção ao lado de fora da casa. Observaria mais de perto. Quando cheguei no parapeito da varanda, inspirei fundo e me enche de um gás inominado, ácido, úmido, doce, e por fim gélido. Prossegui. Desci os três degraus avançando em direção ao branco desconhecido. As nuvens agora, estavam baixas, eram névoas, totalmente brancas. Não havia tons de cinza, verde, azul, lilás, nada, apenas branco. Eu ficava cada vez mais intrigado, com medo mas curioso. Eu já vi dias frios, dias nebulosos, já morei em nuvens, mas nunca tinha visto nada tão extensivamente branco.
Dei mais uns cinco passos para frente e quando me virei, Kirito, meu labrador, passou correndo e me deu um abraço canino desmontante. Quase caí, ele seguiu em frente e desapareceu. Olhei para trás e minha casa tinha sumido. Eu não sabia para que lado ir. Tudo era muito do mesmo. Tudo tão nebuloso...
Olhei para o chão, afinal, eu tinha apenas uma certeza, que onde eu pisava era sólido e eu podia me confortar com isso. Eu não estava totalmente perdido, eu estava na minha fazenda, com meu cachorro, meus animais, minhas árvores, minha casa, minha xícara, e principalmente meu chão.
Eu me abaixei, fiz uma prece de agradecimento, pois eu tinha jurado que hoje seria diferente, mas não assim, e eu estava com muito medo. Queria a reconciliação, o perdão e parecer pelo menos a Deus, uma pessoa não tá má, não tão egoísta. Esfreguei o chão com a mão direita, e vi a grama verde cintilante, úmida. Comecei a gargalhar e chorar ao mesmo tempo, um som esganiçado por causa da minha voz rouca. Kirito reapareceu, me lambeu e se deitou do meu lado.
Eu teria o meu dia diferente, era só um dia nebuloso, sinistro. Mas eu não estava sozinho e nem perdido. Eu tinha aquele verdinho me provando que eu estava errado, que o mundo não ia acabar ainda, que eu estava me encontrando... Eu tinha o chão. Deitei e adormeci.
Juro que amanhã vai ser diferente.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Deixa essa água correr para onde ela quiser, nada de açudes aqui. Eu proíbo!

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Tempos de furor

Cheguei ao tempo onde tudo fermenta, ferve e apodrece.
As emoções não são suaves, os caminhos não dão paz, as pessoas são íngremes, escorregadias, profundas demais, rasas demais, complexas demais ou simples demais.
Simples, são simples. Simplesmente furiosas, quentes. Basta agradá-las e mimá-las que tudo correrá bem e o ponto de ebulição não será alcançado. Basta um passo em falso para tudo explodir no furor mais vulcânico.
Eu cheguei nos tempos de furor e agora me pergunto por qual trilha seguir nesse universo paralelo. A melhor escolha talvez seja a inércia.
Ir em frente e culminar a existência numa grande explosão brilhante talvez seja uma escolha aceitável. Afinal, eu gosto muito de luz!

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Demência, insanidade, obsessão, loucura.
Podia ser algo tosco, mas era preciso registrar essa necessidade de perseguição.
Essa vontade que nunca passava, o buraco que nunca se fechava.
A árvore mais bonita, a bebida mais doce, o delírio mais louco. O favorito. O único.
Talvez o único modo fosse enterrar tudo. Tapar tudo com muita terra, muitas formigas e muitos vermes. Talvez o único modo fosse deixar o vermelho-sangue, tal qual um verde-musgo.
Floresça!