sábado, 1 de dezembro de 2012

Sonho com o dia em que serei indiferente, totalmente apática.
Só assim deixarei de chorar por você.
Ouvirei seus lamentos, suas alegrias e esboçarei um sorriso apenas para parecer solidária.
Depois vou jogar tudo no lixo e rir da primeira piada que me contarem esquecendo-me completamente suas palavras, não sendo nunca mais nocauteada por elas. Um dia, quando esse meu sonho se realizar, você não vai mais pesar sobre mim.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Mundo sem você (eu)

Naquele momento em que você descobre que é totalmente dispensável. Há risos sem você. Há choros sem você. Há trabalho, há rotina, há chuva, há sol. Há diversão, há amigos... Tudo isso sem você...
E quem você ama continua vivendo. E quem você quer continua te ignorando. E você sobrevive e você sabe que ele(a) também. E todo o resto. Tudo acontece, tudo pode permanecer igual. Com ou sem você, não faz diferença. Mas você preferiria, de coração, acreditar que para alguém você é tudo, e que o mundo pararia se você não sorrisse agora...

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

E o próximo muito próximo com o próximo se fundiu.
Um só. Nem próximo, nem outro, só um. Um só.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Anita e a mágoa

Anita estava tão magoada; parecia que andava curvada com um punhal cravado no peito.
Se tirarmos o punhal ela sangra e morre. Se deixarmos, ela sente dor, anda curvada pelo resto do caminho, mas sobrevive e convive, e vive com aquela dorzinha incômoda, constante...
Então deixemos o punhal lá. Bem no meio do peito de Anita.

Eu queria que ela falasse. Eu queria poder traduzir em palavras o que eu via nela.
Eu perguntei então.

"Eu estou decepcionada. Tive muitas expectativas frustradas."

(Queria que ela falasse mais. Como pode, eu ali, sentada, com os cotovelos sobre os joelhos. Atenta voyeur do sofrimento alheio. Queria aquela dor desnuda. Queria entender... Intrigante como a dor dela me interessava.)

Silêncio.

1/4 de hora de silêncio eterno. Música ao fundo.

Agora a frustração dela parecia ter sido toda transferida para meus rins. E passei a imaginar a dor. Eu vi assim:

Tinha um barco à deriva e um timoneiro com barbas ruivas, totalmente ébrio. Manco. Gritava com todos à bordo. Não eram muitos, uns quatro, talvez. Um deles que esfregava o chão, levou um chute daquela perna de pau. Acorda seu vagabundo! Trabalhe! Ele era franzino. Um menino ainda. Cheio de sonhos, mas agora um frustrado lavador de chão. Sua barriga doía. Seu hálito fedia. Suas expectativas todas, todas quebradas como um jarro de barro lançado à gravidade. E agora nada mais importava. O timoneiro fazendo-se capitão. Todos mortos. Barco à deriva. Ainda não mortos. Mas em breve. Era uma certeza. Assim como o bêbado não tinha juízo sobre si, assim como não poderia fazer o barco se salvar, assim como não poderia evitar a tempestade que estava chegando, assim como.... assim como não poderia evitar que todos morressem.
Decepção por confiar, por acreditar que podia ter sido diferente. Que poderia haver glória de alguma maneira...

Silêncio ainda.

"Anita!" - gritei como num espasmo, depois de voltar à realidade como que numa epifania mal sucedida.
Eu vi sua dor, sua decepção. Eu te entendo...

Ela me abraçou. Esqueceu a mágoa, fez como que uma continência de mãos e trêmulas e disse: "vamos achar o capitão!"

Sim pro não

Resolvi dizer mais sim. Disse também mais "nãos".
Disse sim pro não.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Sempre a dor... sempre ela

Por que sempre abaixo a cabeça diante da dor?
Eu devia era erguê-la, isso sim! E agradecer a Deus por sentir.
Valha-me!, pois quantos "humanos sem sentidos" vejo viver.
Com instintos animais, somente se contentam em passar pela vida, sem plenamente vivê-la.
É a dor, sempre ela, me mostrando o quanto a vida vive em mim.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

à margem

Hoje eu conheci uma senhora com o sobrenome de Boa Morte e fiquei pensando "quando a morte seria boa?"
Ela não teve pais. Só mãe. Com o sobrenome Boa Morte também; e ela morreu jovem.
Perguntei para a senhora quem a criou.
- Minha avó, que também morreu cedo. - respondeu a senhora.
- E a senhora nunca se casou?
- Não. Para quê? Só vejo gente reclamando de seus casamentos.

Silêncio.

- A senhora mora onde?
- Cada dia num lugar.
- Agora a senhora mora com quem?
- Com dona Maria e o marido dela. Eles me deixam dormir lá.

Eu nem tive mais o que dizer. Mas me arrisquei:
- Tenha fé! Vai dar tudo certo.

Ela agradeceu:
- Fica com Deus, minha filha!

Abaixei a cabeça, agradeci e desejei que a morte não a encontrasse jamais ou que antes ela tivesse um lar, um filho ou um cachorro. Algo que fosse seu. Algo que ela deixasse ao mundo, alguma parte dela, para que alguém pelo menos saiba que ela viveu, que ela sofreu mas que sentiu e que alguém notou...

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Oi nostalgia

Oi, nostalgia...
Você nunca vem, nunca aparece.
E agora, aqui, fazendo meus pelos eriçar com aquela música velha.
Justamente a música que diz "Welcome Home", o único lugar na face da terra que é meu no meu mundo de papel e luzes coloridas.
Sou muito welcome e eu sei. Para a minha nostalgia. A minha, a minha...a mim.

sábado, 14 de julho de 2012

Quero me fechar

Quero me fechar
Trancar minhas portas e janelas
Pra ninguém mais entrar
Pra ninguém mais me usar.
Mas eu sou usável...
porque minha vida é,
sempre tem sido
para os outros.
Outros, que são maus inquilinos.
Entram, bagunçam e vão embora.
Quero me fechar
Pra ninguém mais me usar.

Oh, se eu pudesse me amar mais...

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Senso (ação)

Você não entenderia a sensação mas eu vou descrevê-la mesmo assim:

Eu chutei uma pedra mas eu não senti dor
Era como se no momento exato ela se transformasse em algodão doce.
Eu não provei, é claro. Mas eu soube pelo cheiro e pela cor. Rosa.
Agora chutava o ar, chutava com força e não encontrava obstáculo...
Rolei na grama e senti o cheiro da clorofila e dos pulgões minúsculos.
Estalei a língua e a fumaça anil que eu observava enquanto deitada sobre a grama
Se transformou em carneiros de nuvens.
Foi bom... foi isso

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Claridade

É tanta luz, tanto brilho que meus olhos queimam.
Se fosse tão simples andar nesse caminho de raios iridescentes como é para mim tropeçar e cair em trevas,
Confesso que ficaria ao chão, apenas olhando para cima, contemplando o firmamento.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Before we all burn

Antes que tudo e todos se queimassem, antes que o fogo levasse todas as lembranças embora, eu guardei um retrato e um caderno junto ao peito, sorri e vivi eterna.
Antes que o fogo levasse tudo embora.
Before we all burn.


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Diálogos de lobos

- Tenho muita certeza da relatividade de tudo que me cerca. Mas queria muito, mesmo que por breve momento relativizar o absoluto e ter por certo o mundo que eu quero, o meu mundo.
- Você está seguro conosco!
 (You are safe with us!)

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O velho, o menino e a ponte

Sempre tinha o velho e o menino e a ponte, no mesmo lugar, à mesma luz.
O quadro com a moldura envelhecida, pendente em um dos lados. Parecia que ninguém se importava de arrumá-lo. Eu virava a cabeça um pouquinho e conversava com o velho. O menino parecia sempre distante.
Mas eu não entendia a ponte. O velho me parecia feliz e suas conversas sobre a chuva e sobre o tempo nunca me fizeram duvidar de sua sanidade ou de seu bem-estar emocional, mas o menino descalço  parecia muito distante. Dava a impressão de ter sido colocado ali depois; bem próximo à beirada da ponte, quase se precipitando dela. Garoto infame, parecia gargalhar e morrer de dor ao mesmo tempo. Zombava do quê?
Da vida? Do velho? Da ponte?
Por que ele estava ali?
Ele me olhou uma última vez, nem como uma despedida. Foi mais como um convite para que eu ficasse eternamente na dúvida, para que eu me corroesse tentando achar as respostas. Ele zombava de mim. Era isso.
O menino e o velho e a ponte...o menino distante e zombador.
Quando se virou com seu convite à minha perturbação, acenei com a cabeça e ele pulou.
Zombando de mim e da morte.
Sempre tinha o velho e a ponte, no mesmo lugar, à mesma luz.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O cuidador

E ele cuida. Olha. Sente.
E sorri quando ela pisca um dos olhos para ele.
Sente a temperatura febril da moléstia dela.
Está sempre por perto, só para saber se está tudo bem.
Às vezes nem sabe sobre o que falar. Então fica em silêncio.
Mas a olha. Ele a olha com os olhos mais ternos.
Quando ela se quebra, ele morre.

Damien Rice me insirou. :D

sexta-feira, 27 de abril de 2012

me

O tempo me influencia tanto que hoje só quero ouvir Coldplay :)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Nó de sol

Sendo o nó
Seguindo só
Por uma estrada
De sol em só
Onde a dor do nó
Um grito escapa
Seguindo só
Atrás do nó
De só em sol
Errada...

domingo, 22 de abril de 2012

Ego/eu

Eu prefiro uma canção à um adeus...
E prefiro o eu ao você.
Mas me iluda, me faça dormir e sonhar.

A questão é que eu sou egoísta demais
Se eu prefiro o eu, não vou deixar você ir
E o meu eu quer a ilusão que você traz...

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Com vontade de comer um chocolate ;D

sábado, 21 de abril de 2012

Se eu quero o muito
Se eu já tenho muito.
Se conseguir mais
do muito que tanto quero
E se o espaço é finito
Meu muito vai caber onde?

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Fragmento

Às vezes é preciso olhar a beleza do detalhe, ver a forma geométrica da minúscula parte para ver que o todo nem é tão ruim...

The first

O primeiro post from my mobile haha e isso é um teste xD

quinta-feira, 19 de abril de 2012

A pequena boêmia

Eu não sei o nome dela, mas me lembro muito bem de como ela era.
Quando entrava no bar, pouco chamava a atenção para si. Aliás, muitas vezes ninguém a notava. Nem eu.
Mas era sempre a mesma. Baixa estatura. Talvez 1m 60cm, não sei ao certo. Sempre de camisa branca, gola exemplarmente engomada. Cabelo preso num rabo de cavalo. Dava pra perceber que tinha cabelos longos e bonitos. Franja e óculos. Para mim, não era o perfil das bêbadas que costumava encontrar. Mas ela tinha umas olheiras singulares. Talvez fosse a bebida.
Se eu ficasse sóbrio talvez pudesse penetrar anonimamente a mente da pequena boêmia.
Por que ela estava ali? Ah! Eu sabia o porquê eu estava. Eu era um fracasso. Todos sabiam. Emprego ruim, família desfeita, dívidas, falta de amor-próprio e qualquer outra desculpa que talvez eu encontrasse para estar ali bebendo ou melhor "chorando as mágoas". Mas e ela? Tão pequena e linda...
Ela não falava alto como as mulheres nas mesas ao lado. Ela simplesmente se sentava junto ao balcão perto da juke box, bem ali, onde tinha umas luzes azuis. Ali, ela ficava prateada. Parecia sobrenatural... Pedia sempre a mesma bebida, que eu não sei o que era. Demorava-se a dar o primeiro gole. E ficava ali a noite toda, aquela pequena boêmia...

Então formulei uma teoria para sua bebedeira. Ela deveria saber demais do mundo para ficar sóbria e enfrentar a realidade. Ser bonita e pequena não bastava a ela. Que injustiça o mundo reservara àquele ser infantil e belo?
Sabe o que ela não sabia? Que já sabia demais.

?

Eu sei de muitas coisas.
Mas será?
E essa dúvida?
Acho que sei...

Luta

Sim, estamos aqui para ficar.
Permanecer de pé
Perseverar.

Se cair, vou levantar.

Meu nome é luta.

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No mp3: King and Lionheart, by Of Monsters and Men

Sol de todas as cores

Aaaah que clima felizinho e colorido!
Quantas frutas de cheiro doce, quanta árvore verdinha...
Aaaah se esse sol fosse meu todos os dias para sempre e sempre...
Mas que ele apenas brilhasse, iluminasse...colorisse!
Sem queimar ou arder, sem cansar, sem nostalgiar...só brilhar!
Hoje eu sou de todas as cores! Meu sol de todas as cores...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Águas de março

As águas de março fechando o verão
Levando embora minhas promessas de vida.
Fechando o verão e deixando em vida
Minhas promessas.
Viva às águas de março!
Que me deixam em promessas e vida!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Marilouca

- Vão tirá-la de mim! - Marilouca gritava em desespero pudente.
- Quem? Para! Acalme-se! Acalme-se, menina! Pareces louca. - repreendia o pai de alguém que fazia a barba sempre ali, na esquina, na barbearia do Seu Zé.
Ele sempre via essa menina que parecia, a seu ver um tanto perturbada, louca. Não era como as outras. Ela sempre se sentava no meio-fio, no chão seco mesmo e contava pedras, juntava insetos, falava com ela mesma e sempre tinha um livro numa das mãos, ou no chão ao seu lado. Um dia ele viu: Moby Dick. Mas nos outros todos era Dom Quixote.
- Que insana! Louca, lendo livros de loucos...
Voltando ao quadro inicial, a menina que sempre estava quieta ou falando sozinha, naquela ocasião esbravejava e se debatia como um cão raivoso embora envergonhado. Como se tivesse mordido o dono...acho que essa seria a descrição.
O cabelo dela já tinha se soltado do laço, o vestido pendia uma das alças sobre o braço. Ele notou que ninguém a segurava. Ela era um espetáculo, um show. Olhares de piedade, risos se formando, cada qual, cada um com sua reação diante da insana.
- Vão tirá-la de mim! Vão tirá-la e eu... (soluço) nem poderei fazer nada...só vê-la partir...
(rostos enrubescidos, salgadas águas)
- Tirar quem de você? Não tem ninguém aqui, mocinha...
- Vão tirar minha sanidade, vão levá-la. E o sentido de tudo, se perderá. Eu me perderei porque não sou nada sem ela...o que é uma louca sem sua sanidade? Daí serei apenas louca, sem a consciência disso. E de louca ainda me chamarão mas... e eu? Se eu não sei, se me levaram...de mim... Serei uma louca completa, motivo de chacota e o meu sentido? E o sentido que minha loucura tem pra mim?
O homem riu timidamente. A garota era louca...

domingo, 1 de abril de 2012

Gás

Eu não sei
Se é o buraco
Se é o céu...
Mas é algo sufocante.
Tristeza demais, felicidade demais...
E eu não consigo respirar.

O monstro em mim

O monstro em mim que sente fome.
Não de comida.
Fome de palavras, de gestos, de sons, de expressões.
Um monstro, um verme, parasita que não se contenta em apenas estar ali e habitar meu corpo...
Ele quer o mundo, ele quer sugar tudo.
Ele nunca está satisfeito, sempre quer mais.
E ele come outras pessoas, come sons, come imagens, come coisas.
E ainda quer. Agora o monstro em mim quer você.
Quer sugar tudo de você e ele vai matar você.
E depois que o monstro em mim comer você, você será dele.
E será meu.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Ida

Caminhando sem direção.

Para onde?
Fico parada! ou (?).

quinta-feira, 22 de março de 2012

Em desconstrução

Desmanchando em cada fio de vida.
Amando o caos e a desconstrução. 
Deve ser por isso que
o meu cabelo está sempre bagunçado.
E eu tô flutuando dentro duma bolha
como se não estivesse no mundo
como se apenas o observasse de longe
E não fizesse interferência
Não fizesse diferença...

terça-feira, 20 de março de 2012

Chuva e sol

O dia em que ela não conseguia discernir o que esperar.
Se chovesse leria seu autor favorito, vendo a chuva da varanda.
Se fizesse sol, ela usaria o vestido mais florido e cuidaria das abelhas.
Às sete horas, no entanto, quando abriu os olhos com a claridade, Anita viu chuva. E sol.
O mais brilhante dos sois. A mais brilhante das chuvas. Tinha um diamante e um arco-íris em cada gota. E parecia que caíam em "câmera lenta".
Ah, hoje, é um dia indiscernível! A confusão tomou conta do coração de Anita.
Ela amava a chuva e seu tilintar. Amava o sol e suas cores.
Mas agora, ela não tinha nenhum dos dois. Então voltou a dormir.

terça-feira, 13 de março de 2012

Rabisco

Se não souber desenhar ou escrever, RABISQUE! Mas não deixe passar em branco!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Amor finito (parte III)

E no amor, na amizade, na vida
Não há contrato com cláusula
Para que lhe devolvam a noite perdida.

Não há tempo a ser restituído
Não há paga pelo dado
Ninguém cola o partido.

Quando a pessoa se vai
Leva de você,
Você mesmo quando dela
E se olhar para trás
Verá que, você, ainda tem muito dela.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Amor finito (parte II)

Quando a gente jogava xadrez
Você sempre ganhava.
...

Porque eu te amava.

Amor finito (parte I)

É tanto você, você e você
Que não existe mais eu.

Ou será que se fundem
o seu egoísmo e minha insanidade?

Louca de aceitar o você
Esquecendo-se do eu.

É tanto você, você e você
Que perco a identidade.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Paz de mim

Aquele senso de "completude".
Aquela ânsia de ócio.
A paz mental.

Não é paixão.
É calma...
Solidão e só.

É o olhar no espelho
E se bastar
Com muito

de só VOCÊ.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Doce amor



- Pai, o que é amor?, pergunta a garotinha de botas azuis.


- É quando você quer abraçar a pessoa para sempre, e ela tem gosto doce e o mundo fica colorido. - responde paciente e docilmente o pai.


- Ah, então o amor é para ser feliz né, pai?


- É sim, filha.


E a garotinha, cabisbaixa se lembrou do menininho da escola, das cartas rasgadas e de como ele sempre lhe mostrava a língua suja de groselha na hora do recreio.


- Era para ser feliz, né pai?, pensou.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Entardecer

Está ficando tarde.
Está se formando a tarde.
Mas a noite nunca é capaz
Nunca é  demasiado ontem
Que eu não possa voltar atrás.

Está ficando tarde
Mas eu realmente não me importo.

Caminhando de encontro à noite
Ainda é muito cedo para a manhã
da minha tarde
Então concluo em pensamentos evasivos:

"A noite nunca será capaz
De me impedir de metamorfosear
Pois nunca é demasiado ontem
Que eu não possa voltar e mudar."

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Quem?



"aquela pessoa que te deixa sem chão, que te leva pro céu com um sorriso, que deixa seu mundo todo colorido, que te faz cantar e sorrir para os estranhos na rua, que te leva ao Paraíso com o som da sua voz, que te faz procurar arco-íris em dias de chuva, que te rouba de você mesmo só para te fazer feliz."

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Diário


Eu deveria matá-lo. Enterrá-lo bem fundo.
Porque no fim os segredos meus, não serão meus.
Qualquer um que abrir saberá e eu argumentarei o quê, se já morri?
Quiçá, o que tem lá já foi lido há muito tempo. Nem são mais os segredos meus.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Chuva

Esse som que me dá paz
e relembra o quanto estou só
E o branco que o transparente faz
Desatando os mesmos nós.

Se é para lavar
Que lave.
Se é para me deixar
Que me leve!

E quando o som ficar mais forte
e o resistir me falhar,
à caminho da morte, ao encontro da sorte
Vou me molhar.