O vento canta sua canção secreta
As gotas de chuva marcam o ritmo
E as folhas, nos galhos titubeando, seguem a deixa e dançam belamente, para lá e para cá num compasso ensaiado
As folhas caídas no cascalho úmido tentam se erguer para acompanhar o balé delicado
Não há mais forças nas folhas secas, há quem diga que estão mortas
Eu só digo que estão cansadas
Pois pra mim nunca morrem
Elas conseguem dançar quando não há chuva
Eu mesma já vi o belo rodopio
Quando das folhas secas girando e girando
Enquanto o vento fazia da sua canção um assobio
Nessa música, sem marcação, sem compasso
Todas sem exceção
As verdes, as amarelas, as secas
As por cair
Dançaram o mesmo passo.

