quarta-feira, 23 de abril de 2014

Puniu-me

Eu paguei o preço.
Fui punida.
Agora pago de novo e de novo.
E você me pune por algo que eu não fiz.
Ah meu Deus! Estou sendo punida de novo!
Já se foram o respeito próprio, a amizade mais querida, o abraço caloroso.
O que você tira de mim agora?
Sanidade.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Para sempre

Me inspira!
Se encha de mim.
Regurgite!

quarta-feira, 9 de abril de 2014

So far away

O calor é sentido na pele, mas está tão distante. So far away. Receio que seja meu cérebro sinestésico me pregando peças.
E eu rezo para que chegue logo, para que me proteja, para que me envolva em seus braços. Mas onde está? Chego a visualizar como uma miragem para o sedento. So far away.
So far away from here, so far away from me.
Está tão longe, que agora, mesmo sentindo, estou convicta de que não existe. Inalcançável. Talvez naquele universo paralelo onde há pessoas felizes, jardins, crianças e sorvetes. Mas não estamos lá. Estamos so far away disso. Tão distantes da felicidade...
So far away...

sábado, 29 de março de 2014

Paixão e sopro

Ora se não foi um sopro...
Aquele sopro rápido e quente em uma de minhas orelhas. Todos os pelos do meu corpo se eriçaram.
Assim como veio, ele se foi. Não deixou rastro e nem pista de para onde foi. Só partiu.
E como ele tira o pó sobre o móvel e como é efêmero
Assim foi aquela paixão que de súbita morte morreu.
Com súbito sopro partiu. Sim, foi apenas um sopro.


Para a menina com lágrimas em odres:
A paixão é apenas um sopro.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Funcionária do mês

Todos os dias Maria batia o ponto às 8 horas da manhã.
Sentava à sua mesa extremamente bagunçada. Havia papeis, souvenirs de viagens que os colegas lhe traziam, papeis e plásticos, restos de comida. Havia também várias canetas que não escreviam e máquina que não datilografava.
Curiosos eram aquelas recomendações, certificados e a plaquinha de funcionária excelente que ela ostentava com tamanho orgulho na parede esquerda de sua sala minúscula. Ela colocara aquelas molduras de excelência bem à sua vista. Ela era a melhor.
Não havia dúvidas, Maria era a melhor no que fazia. Todos a agradeciam por seu trabalho, elogiavam e pediam conselhos.
Mas Maria não queria agradar à todos aqueles outros. Ela queria a graça de seu chefe. Isso Maria já tinha. Todos os dias, fazia horas extras e nos fins de semana lá estava ela, fazendo o melhor dos trabalhos, escutando, esperando, estando disponível. Funcionária do mês doze vezes por ano.
Maria era a melhor pessoa-objeto que eu já vi. Excelente e sempre usável.
Hoje seu chefe não veio, não pediu nada, não questionou nada, não apareceu.
Maria guardou todas as suas coisas em caixas de papel sulfite usadas:
- Vou mudar de emprego!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Zé pinga reclama da vida

- Não estampe essa felicidade, mostre dor. Seja genuíno. Está tudo uma bosta mesmo, não está?
- Não.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Buraco e dor

Tem um buraco enorme. Carne exposta. Vermelha e purgante. Mas vai sarar. Tem aquele remédio. Aquele você sabe qual.
Tempo?
Ou punhal?