quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Noites em claro

Todas as noites que passei em claro 

Acordada, esperando uma resposta, um sinal

Foram longas demais

O sol logo derreteria a lua e o negro se transformaria num rosa alaranjado quente 

Aguardei a mão que me puxaria para fora desse buraco escuro demais

E amanheceu.


Todas as noites que passei em claro

Acordada, pedindo ajuda, com minha alma queimando

Aterrorizada, me sentindo perdida

Andando em círculos e ouvindo uivos distantes

Esperei um tempo, esperei dois. Esperei mais.

E amanheceu.


Todas as noites que passei em claro na floresta úmida 

Com o cheiro de lama podre na sola das minhas botas

Petrificada aguardando um retorno incerto

De uma viagem que eu não queria ter feito.

Esperei por um salvador, que não veio

E amanheceu.


Todas as noites que passei em claro

Foram em algum momento o prelúdio que a dor e a escuridão iriam me alcançar 

Mais cedo ou mais tarde

E me obriguei a ouvir com meus dois ouvidos

E com minha intuição.

Foi mais uma inspiração longa demais.

E amanheceu.

 

Todas as noite que passei em claro, foram habitadas por monstros e medos, pedidos sem respostas.


Todas noites que passei em claro, passaram.

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