Todas as noites que passei em claro
Acordada, esperando uma resposta, um sinal
Foram longas demais
O sol logo derreteria a lua e o negro se transformaria num rosa alaranjado quente
Aguardei a mão que me puxaria para fora desse buraco escuro demais
E amanheceu.
Todas as noites que passei em claro
Acordada, pedindo ajuda, com minha alma queimando
Aterrorizada, me sentindo perdida
Andando em círculos e ouvindo uivos distantes
Esperei um tempo, esperei dois. Esperei mais.
E amanheceu.
Todas as noites que passei em claro na floresta úmida
Com o cheiro de lama podre na sola das minhas botas
Petrificada aguardando um retorno incerto
De uma viagem que eu não queria ter feito.
Esperei por um salvador, que não veio
E amanheceu.
Todas as noites que passei em claro
Foram em algum momento o prelúdio que a dor e a escuridão iriam me alcançar
Mais cedo ou mais tarde
E me obriguei a ouvir com meus dois ouvidos
E com minha intuição.
Foi mais uma inspiração longa demais.
E amanheceu.
Todas as noite que passei em claro, foram habitadas por monstros e medos, pedidos sem respostas.
Todas noites que passei em claro, passaram.


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